domingo, 29 de maio de 2011

TOC-TOC-TOC

Richard Simonetti
richardsimonetti@uol.com.br


Três velhinhas tomavam o chá da tarde.

Preocupada, ponderava uma delas:

– Minhas queridas, creio que estou ficando esclerosada. Ontem me vi com a vassoura na mão e não me lembrava se varrera a casa ou não.
– Isso não é nada, minha filha – comentou a segunda –, noutro dia, de camisola ao lado da cama, eu não sabia se tinha acabado de acordar ou se me preparava para dormir.
– Cruzes! – espantou-se a terceira. – Deus me livre de ficar assim!
E deu três pancadas na mesa, com o nó dos dedos, toc-toc-toc, enfatizando: – Isola!
Logo emendou:
– Esperem um pouco. Já volto. Tem gente batendo na porta!

Pois é, leitor amigo, parece que velhice é sinônimo de memória fraca, raciocínio lento, confusão mental… Sabemos que a evocação do passado e o registro do presente dependem das conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses. Há uma perda de ambos com o passar do tempo. O cérebro também envelhece.

Mas, e o Espírito? Não reside no ser pensante, imortal, a sede da memória? Não está ele isento de degeneração celular?

Obviamente, sim! Ocorre que, enquanto encarnados, dependemos do corpo para as inserções mnemônicas na dimensão física, tanto quanto o pianista depende do piano ou o orador depende das cordas vocais.

Uma das razões pelas quais não temos consciência das vidas anteriores é a ausência de registros relacionados com elas em nosso cérebro.

Pelo mesmo motivo, temos dificuldade para lembrar as experiências extracorpóreas, durante as horas de sono, na emancipação da Alma, como define Allan Kardec.

Natural, portanto, que tudo o que afeta a massa cinzenta, perturbe a memória – acidentes, concussões cerebrais, distúrbios circulatórios, doenças degenerativas, envelhecimento...

Sabe-se hoje que é possível prolongar o viço, cultivando existência saudável – ginástica, alimentação adequada, disciplina de trabalho e repouso, ausência de vícios…

Da mesma forma, podemos conservar, até a idade provecta, a acuidade mental, desde que nos disponhamos a elementar cuidado: exercitar os miolos. Todo labor intelectual, que implica em movimentação dos neurônios, é salutar.

Neste aspecto, os pesquisadores têm valorizado a leitura. A concentração exigida, quando lemos, é um exercício prodigioso para o cérebro, tanto mais vigoroso quanto maior o grau de concentração e o empenho por digerir o que lemos.

A experiência demonstra: as pessoas que cultivam o hábito de ler chegam mais longe com lucidez, preservam a memória, não obstante o avançar dos anos. Sem movimentar os neurônios a velhice perde-se em sombras. É preciso conservar a vivacidade, o ideal de aprender, de desdobrar experiências, considerando que sempre é possível ampliar horizontes, fazer novas aquisições.

Alguém poderia contestar, afirmando que seria pura perda de tempo na idade provecta, em contagem regressiva para vestirmos o pijama de madeira e nos transferirmos para a cidade dos pés juntos.

Ocorre que lá ficarão apenas nossos despojos carnais. Espíritos imortais, habitaremos outros planos do infinito. Portanto, nenhum aprendizado será ocioso. Um velhinho de oitenta anos propôs-se a tocar piano. O professor alertou: – Estudo longo e cansativo. Pela ordem natural, o senhor não usufruirá desse aprendizado.

E ele, animado: – De forma alguma! Se não der para tocar aqui, serei pianista no Além!

Certíssimo! É assim que crescemos espiritualmente e mantemos “azeitadas” as engrenagens da mente, para que nunca nos falte esse élan que valoriza e torna feliz a existência, promovendo nossa evolução. Praza aos céus seja essa a marca de nossos dias.
Toc-toc-toc!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Morador de rua cuida de 10 cães



Rogério é um morador de rua que vive numa carroça coberta com 10 cães, entre eles, alguns encontrados em condições extremas - espancados pelos antigos donos, jogados pela janela de um caminhão, doentes, abandonados e esfomeados, largados ao léu, amarrados em postes etc.

Vive de doações de ração, remédio e comida. Os cães são muito bem tratados, mas dependem do amor e do carinho que o Rogério tem por eles e da caridade daqueles que o conhecem e admiram.



Ele fica próximo a pontos de ônibus na Avenida Georges Corbusier, após a rua Jequitibás (região do Jabaquara, em São Paulo), os cães não atrapalham ninguém, são super-educados e simpáticos (todos castrado(a)s) e passam boa parte do dia dentro da carroça.

Ele é muito querido pelos comerciantes da região, mas o problema é durante a madrugada: bêbados ao volante e garotos usuários de droga da região tem sido um constante perigo. Rogério já foi espancado por jovens que chegaram a jogar álcool nele enquanto dormia com os cães dentro da carroça, por sorte não tiveram tempo de acender o fósforo, pois um dos cães latiu e o avisou do perigo.



Ele é um exemplo de como uma pessoa pode se doar. Alguém na condição dele, poderia ter escolhido outros caminhos, mas Rogério demonstrou coragem e decidiu perseverar. Além de ser uma pessoa de muito valor, faz caridade prá deixar muito bacana por aí no chinelo. Sua presença ilumina os lugares por onde passa, mas ele já está cansado e também não é mais tão jovem assim.

São muitas as agressões que ele e os cachorros vêm sofrendo, que vão desde o assalto ao espancamento, até atentados contra a vida como esfaqueamento e atropelamento. Enfim, é muito sofrimento para alguém que luta tanto. Na região todos o conhecem e apreciam, tanto que na última vez que uma turma veio bater nele porque queriam roubar suas coisas, o dono de um bar próximo saiu para enfrentar os safados e começou a dar tiros, colocando todos em fuga. Mesmo assim, o Rogério passou dois dias no hospital por conta dos machucados recebidos e, se não fosse pela intervenção do dono do bar, os cachorros já seriam órfãos.

Assim, diante de tudo isso, peço que ajudem a divulgar esta história para que o Rogério possa conseguir uma oportunidade que lhe propicie melhores condições de moradia e de vida, em qualquer cidade, para que ele possa cuidar não somente dos seus, mas de outros tantos cães abandonados por esse Brasil e que precisam de muitos cuidados e de carinho. Já lhe ofereceram abrigo mas, desde que os cães ficassem para trás, o Rogério recusou, pois para ele, estes cães são como filhos; são sua família.



Outro dia, ele estava levando todos os cães a um pet shop para tomarem banho - 11 cachorrinhos felizes – eram originalmente 10, mas agora apareceu mais um, um fox paulistinha que eu não conheci porque no momento que conversávamos estava no banho. Ele disse que havia passado remédio contra pulgas nos cachorros e que o tal remédio é meio melado, e então teve que dar banho em toda a tropa. Perguntei quanto ele iria gastar para dar banho em todos os cachorros e ele, sorrindo como sempre, disse que a moça do pet shop o ajudava e não cobrava nada. Santa alma! Aí eu perguntei a ele – e você? Onde toma banho? Ele me respondeu que tomava banho no posto de gasolina da esquina, banho frio, gelado mesmo. Disse que como era nordestino, estava acostumado.

Às vezes, faltam palavras que possam definir a grandeza de uma alma como esta, que mesmo não tendo quase nada para si, dá o pouco que tem para minorar o sofrimento desses pobres animais de rua. Muito mais importante dos que a aparência, a riqueza e o poder ostentado pelas pessoas, são suas atitudes e seus valores éticos e espirituais.



Cada dia que passa, aprendo a admirar cada vez mais o ser humano que ele é.

Ajudem a divulgar esta bonita história.
C r e a t i v e W o r k

P.S.: DIVULGUEM ENTRE OS AMIGOS, GENTE!
Quem sabe alguém consegue uma reportagem com ele e daí vem ajuda de alguma entidade pois, além de ser um grande exemplo de ser humano, é também uma pessoa muito