quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O SOL DO GRANDE LESTE




O casulo se desintegra quando o comparamos ao frescor de um momento de bondade de bondade fundamental, da mesma maneira como só podemos perceber que o ar numa sala está viciado quando alguém abre a janela e uma brisa fresca entra; ou como só podemos perceber que está escurecendo quando alguém acende a luz. Como comenta o Dorje Dradul:

O casulo não encerra nenhuma ideia de luz, até que vivenciamos um anseio de abertura, um anseio por algo diferente do cheiro do nosso suor. Quando começamos a examinar essa escuridão confortável – a contemplá-la, cheirá-la, senti-la , nós a achamos claustrofóbica. Assim, o primeiro impulso que nos afasta da escuridão do casulo e nos faz avançar em direção à luz do Sol do Grande Leste é o anseio de ventilação... com esse anseio de ar puro, de uma brisa de alegria, abrimos os olhos e começamos a procurar um ambiente substituto para nosso casulo. E para nossa surpresa, começamos a enxergar a luz, embora esta possa estar indistinta no início. O rompimento do casulo tem lugar neste ponto.

Quando nos ligamos a um mundo maior, nosso dissonante sentimento de separação diminui. Nosso tagarelar interior é ensurdecido e sentimentos ser possível nos abrirmos a um mundo novo sem nosso rançoso casulo e perceber que estamos inerentemente ligados a ele. Nas palavras de Albert Einstein:

O ser humano faz parte do todo, que nós chamamos de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele vivencia a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo dissociado do resto – uma espécie de ilusão de ótica da consciência. Essa delusão é para nós uma espécie de prisão, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas pessoas que estão mais próximas de nós. Nossa tarefa precisa ser nos libertarmos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abraçar todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de conseguir isto completamente, mas o esforço de alcançar essa realização é em si uma parte da libertação e um fundamento para a segurança interior.

Trecho de O MUNDO SAGRADO,
de Jeremy Hayward