quinta-feira, 6 de dezembro de 2012



OSCAR NIEMEYER,
A REGÊNCIA DO FUTURO

por: joão de abreu borges

O que se vê de grande ou pequeno no mundo começa a projetar-se a partir do que temos de grande ou pequeno dentro de nós.


Os irmãos Marx, comediantes norte-americanos cujo humor possuía características filosóficas, criaram um belo diálogo resumido em três linhas: “Olha, há um tesouro na casa ali ao lado!”. Ao que o outro comentou: “Mas não há nenhuma casa ali ao lado!”. O primeiro sentenciou: “Então, construiremos uma!”.

Oscar Niemeyer não morreu ontem, ele apenas esqueceu de repente de continuar vivendo. No “andar de cima” ele deve estar lamentando os projetos que deixou por fazer aqui embaixo, principalmente o de continuar colaborando para melhorar as relações sociais justas entre os seres humanos.

Cada um de nós tem uma espécie de fio invisível que nos mantém ligados a uma estrutura orgânica maior, que por sua vez também está ligada a outra estrutura maior ainda (é claro que esta palavra “maior” refere-se a uma pulsação vibrante, meio que física, meio que metafísica.).



Oscar Niemeyer tinha consciência de sua vida como resultado de uma evolução histórica da humanidade, e não se perdia nunca principalmente com relação às suas convicções políticas, ampliando seu olhar sobre a humanidade através do comunismo que, num sentido lato, alcançava as linhas simples e profundas de sua arquitetura.

Uma canal de televisão, enquanto mostrava imagens da obra de Niemeyer, colocava ao fundo junto à voz dele, uma bachiana de Villa-Lobos que, como tal, era cheia de nuances melódicas, poder-se-ia mesmo dizer que esta música possui a sinuosidade marcante da arquitetura de nosso genial e simples brasileiro comunista.

Como se intuísse tanto quanto Einstein (que afirmou ser curvo o Universo), grande marca desta arquitetura era curva, assim como as retas apareciam em linhas precisamente infinitas.



Não morrendo, Oscar Niemeyer extrapolou a ideia frágil de se estar apenas vivo, mas não se viver intensamente, tal como prescreveu Vinícius de Moraes em um de seus poemas.

O ser humano tem em si todas as possibilidades que vê projetadas diante de seu olhar: se este vem do medo, não verá mais do que sombras; se vem da ignorância, não verá mais do que a incompreensão; se vem da sensibilidade, estará aberto a todos os impulsos positivos que o Universo guarda para nós.