quinta-feira, 6 de dezembro de 2012



OSCAR NIEMEYER,
A REGÊNCIA DO FUTURO

por: joão de abreu borges

O que se vê de grande ou pequeno no mundo começa a projetar-se a partir do que temos de grande ou pequeno dentro de nós.


Os irmãos Marx, comediantes norte-americanos cujo humor possuía características filosóficas, criaram um belo diálogo resumido em três linhas: “Olha, há um tesouro na casa ali ao lado!”. Ao que o outro comentou: “Mas não há nenhuma casa ali ao lado!”. O primeiro sentenciou: “Então, construiremos uma!”.

Oscar Niemeyer não morreu ontem, ele apenas esqueceu de repente de continuar vivendo. No “andar de cima” ele deve estar lamentando os projetos que deixou por fazer aqui embaixo, principalmente o de continuar colaborando para melhorar as relações sociais justas entre os seres humanos.

Cada um de nós tem uma espécie de fio invisível que nos mantém ligados a uma estrutura orgânica maior, que por sua vez também está ligada a outra estrutura maior ainda (é claro que esta palavra “maior” refere-se a uma pulsação vibrante, meio que física, meio que metafísica.).



Oscar Niemeyer tinha consciência de sua vida como resultado de uma evolução histórica da humanidade, e não se perdia nunca principalmente com relação às suas convicções políticas, ampliando seu olhar sobre a humanidade através do comunismo que, num sentido lato, alcançava as linhas simples e profundas de sua arquitetura.

Uma canal de televisão, enquanto mostrava imagens da obra de Niemeyer, colocava ao fundo junto à voz dele, uma bachiana de Villa-Lobos que, como tal, era cheia de nuances melódicas, poder-se-ia mesmo dizer que esta música possui a sinuosidade marcante da arquitetura de nosso genial e simples brasileiro comunista.

Como se intuísse tanto quanto Einstein (que afirmou ser curvo o Universo), grande marca desta arquitetura era curva, assim como as retas apareciam em linhas precisamente infinitas.



Não morrendo, Oscar Niemeyer extrapolou a ideia frágil de se estar apenas vivo, mas não se viver intensamente, tal como prescreveu Vinícius de Moraes em um de seus poemas.

O ser humano tem em si todas as possibilidades que vê projetadas diante de seu olhar: se este vem do medo, não verá mais do que sombras; se vem da ignorância, não verá mais do que a incompreensão; se vem da sensibilidade, estará aberto a todos os impulsos positivos que o Universo guarda para nós.




sábado, 20 de outubro de 2012


Relatório da ONU prevê escassez de água no mundo em 2050

ATITUDE RESPONSA - por Marco Antonio Canosa
[extraído do jornal Folha do Centro – Outubro de 2012 – RJ]



O mundo enfrenta uma “falência de água” devido a problemas como a urbanização e a atividade econômica nas principais bacias fluviais do mundo e o aquecimento das águas oceânicas, revela um relatório da ONU, divulgado na semana passada.

O documento, preparado pelo Instituto da Água, Meio Ambiente e Saúde, da Universidade das Nações Unidas, com sede em Hamilton (Canadá), é o resultado da análise de 200 grandes projetos mundiais relacionados com o meio aquático.

O relatório, em cuja elaboração também participaram o Programa da ONU para o Meio Ambiente e o Global Environmental Facility (GEF, Fundo Global para o Meio Ambiente), assinala que em 2050 acontecerá uma grave escassez de água em sete das dez principais bacias fluviais do mundo.

Atualmente, estas dez bacias geram 10 por cento do Produto Interno Bruto do planeta e nelas reside uma quarta parte da população mundial.

No documento adverte-se também para as consequências da subida das temperaturas dos oceanos.

Os oceanos são “o depósito final de calor que dirige o clima, a meteorologia, a fertilização e o fornecimento mundial de água doce”, refere.

“Ainda que o aquecimento médio de 0,6 graus Celsius da superfície marítima desde 1872 não pareça muito grande, representa um enorme aumento no armazenamento de calor”, alerta.

O diretor do Instituto da Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, Zafar Adeel, disse que “este estudo sublinha que os muitos alertas prévios sobre problemas emergentes devem ser escutados”.

A divulgação do relatório coincidiu com o início, em Bangkok, na Tailândia, da Conferência Internacional do GEF, que durante três dias analisou o papel da ciência na solução dos problemas mundiais da água.

O GEF é um mecanismo de cooperação internacional para apoio aos países em desenvolvimento na implementação de projetos que procurem soluções para as preocupações globais em relação à proteção dos ecossistemas e à biodiversidade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O SOL DO GRANDE LESTE




O casulo se desintegra quando o comparamos ao frescor de um momento de bondade de bondade fundamental, da mesma maneira como só podemos perceber que o ar numa sala está viciado quando alguém abre a janela e uma brisa fresca entra; ou como só podemos perceber que está escurecendo quando alguém acende a luz. Como comenta o Dorje Dradul:

O casulo não encerra nenhuma ideia de luz, até que vivenciamos um anseio de abertura, um anseio por algo diferente do cheiro do nosso suor. Quando começamos a examinar essa escuridão confortável – a contemplá-la, cheirá-la, senti-la , nós a achamos claustrofóbica. Assim, o primeiro impulso que nos afasta da escuridão do casulo e nos faz avançar em direção à luz do Sol do Grande Leste é o anseio de ventilação... com esse anseio de ar puro, de uma brisa de alegria, abrimos os olhos e começamos a procurar um ambiente substituto para nosso casulo. E para nossa surpresa, começamos a enxergar a luz, embora esta possa estar indistinta no início. O rompimento do casulo tem lugar neste ponto.

Quando nos ligamos a um mundo maior, nosso dissonante sentimento de separação diminui. Nosso tagarelar interior é ensurdecido e sentimentos ser possível nos abrirmos a um mundo novo sem nosso rançoso casulo e perceber que estamos inerentemente ligados a ele. Nas palavras de Albert Einstein:

O ser humano faz parte do todo, que nós chamamos de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele vivencia a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo dissociado do resto – uma espécie de ilusão de ótica da consciência. Essa delusão é para nós uma espécie de prisão, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas pessoas que estão mais próximas de nós. Nossa tarefa precisa ser nos libertarmos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abraçar todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de conseguir isto completamente, mas o esforço de alcançar essa realização é em si uma parte da libertação e um fundamento para a segurança interior.

Trecho de O MUNDO SAGRADO,
de Jeremy Hayward

sexta-feira, 6 de julho de 2012


EU PRECISO AGRADECER


João de Abreu Borges


Eu preciso agradecer...
essas mãos sem anéis de ouro que conseguem deitar riquezas sobre a alma de quem elas sustentam entre os dedos, deixando-a sublime como qualquer ato de amor.

Eu preciso agradecer...
as feridas... sim, as feridas, aquelas que me chamam a atenção para o fato de que nossa carne é falível, e muitas vezes as feridas servem como portas para novas percepções, especialmente aquelas que atingem diretamente nosso órgão vital.

Eu preciso agradecer...
Esse olhar que às vezes se perde perseguindo as nuvens ou buscando seu espelho no azul do céu; até mesmo fechando-se para respirar em meu interior toda esperança benvinda para quem acredita no porvir como uma benção inevitável para os que amam com fé.

Eu preciso agradecer...
... a imensa carência de amor e o tão pouco que tenho recebido, porque ambas obrigarão a me superar para que conheça a plenitude da vida espiritual e o vigor físico para conquistar, por meus próprios meios, aquilo que necessito e o que preciso conquistar.

Eu preciso agradecer...
... estas ladeiras íngremes que me trazem músculos às pernas; esse medo do que virá e que me torna mais humano frente a meus semelhantes no dia de hoje, a cada dia me mostrando que o porvir sempre nos alcança todos os dias e não nos damos conta disso.

Eu preciso agradecer...

sábado, 19 de maio de 2012


Ernesto Cardenal

recibe el Reina Sofía


Por
Harold Alvarado Tenorio


Ernesto Cardenal (Granada, 1925) fue uno de los líderes de la llamada Generación de 1940 que recoge las experiencias del grupo de Vanguardia, y a la que pertenecen otros grandes poetas como Carlos Martínez Rivas, y Ernesto Mejía Sánchez, a quienes tanto calcaría Álvaro Mutis. Su poesía, la de Cardenal, representó, desde sus inicios, una reacción contra las tradiciones literarias nicaragüenses. Aun cuando escribiera poemas amorosos o luchara contra la dictadura de Somoza, quería siempre una poesía lúcida y objetiva, que pudiera  y que debía caracterizarse por su interés en la realidad de la vida cotidiana de Centro América.


Cardenal hizo la primaria en un colegio de los Hermanos Cristianos de León y luego ingresó al Colegio Centroamericano de Granada. Estudió humanidades en la Universidad de México (1944-1948), donde recibió título de Maestro con la tesis Ansias y lengua de la nueva poesía nicaragüense. En 1947 fue a New York donde estudió poesía inglesa y norteamericana en Columbia University (1948-1949), con Lionel Trilling y Karl Van Doren. Luego vivió por dos años en Europa. Regresó a Nicaragua en 1952 participando, desde entonces, en política. Muchos de sus amigos murieron durante la Conspiración de Abril de 1954, un fallido intento para derrocar a Anastasio Somoza. El dictador sería asesinado en 1956. Durante estos años Cardenal atravesó por una profunda crisis emocional y espiritual que le llevó a ingresar, en 1957, al monasterio Trapense de Nuestra Señora de Gethsemaní en Kentucky, donde se hizo novicio bajo la dirección de Thomas Merton. Luego de dos años allí, los rigores del régimen monacal debilitaron su salud, continuando sus estudios en el monasterio benedictino de Santa María de la Resurrección en Cuernavaca y luego (1961-1965) en el Seminario de Cristo Sacerdote de La Ceja en Colombia. En 1965 se recibió de sacerdote en Nicaragua. Al año siguiente fundó en una remota isla del archipiélago de Solentiname una pequeña comunidad religiosa que luego sería destruida por las fuerzas del último de los Somozas. La comunidad pretendía seguir los lineamientos paulinos de una vida cristiana primitiva. No había reglas específicas que seguir, pero estaba organizada a la manera de una comuna o colonia donde religiosos, artistas, artesanos e intelectuales trabajaban unos al lado de otros. Cardenal fue nombrado ministro de educación con el triunfo de los Sandinistas, cargo que desempeñó por varios años. Hoy en un acérrimo enemigo de los hermanos Ortega

.


Durante su permanencia en la Universidad de Columbia entró en contacto con la poesía y las teorías de Ezra Pound, un descubrimiento decisivo para el desarrollo de su obra. Cardenal comparte con Pound y algunos otros poetas norteamericanos [Eliot, William Carlos Williams] la convicción que hay poesía en cada aspecto de la experiencia humana, desde la economía y la política hasta la historia y la filosofía, y que las estructuras del poema pueden asimilarse, como lenguaje coloquial, a formulaciones estadísticas, artículos de periódico, fragmentos de cartas, crónicas históricas, sátiras, parodias, anécdotas, y cualesquiera clase de otros elementos tradicionalmente considerados extraños al poema. El mismo ha incorporado a su poesía el método ideográfico de Pound, derivado de la creencia de que los conceptos generales pueden ser mejor expresados a través de la agrupación de conjuntos de individuos. Como en los ideogramas chinos, donde para significar rojo se combinan caracteres que signifiquen rosa, cereza, o flamenco, Cardenal usa dos o más imágenes específicas (sacerdote-Mercedes Benz) para sugerir la corrupción de la clerecía. Un lenguaje poético ausente de hermetismos, con predominio de la función referencial.




Estas consignas poundianas son evidentes en Epigramas (1961), una colección redactada en los primeros años cincuenta, que circularon clandestinamente entonces. El libro se compone de treinta y cuatro traducciones de Catulo y treinta y nueve de Marcial, junto a cuarenta y nueve textos originales, desde poemas amorosos hasta ardientes sátiras políticas.


Hora O (1960), considerado uno de sus mejores poemas revolucionarios, fue concluido antes de su conversión religiosa. Trata de los padecimientos de Nicaragua como república bananera y sus inacabables dictaduras, escrito bajo los dictados de las consignas poundianas, haciendo cortes frecuentes entre pasajes y con un uso deliberado de prosaísmos para contrastar tanto las líricas evocaciones de la naturaleza, como el tratamiento épico de eventos históricos. Vívidos recuerdos de la propia participación del poeta en la revolución surgen en el texto.

Como novicio trapense en Gethsemani, a Cardenal le fue prohibido escribir sobre las cosas de este mundo, un acto de auto-renunciación que aceptó con agrado, como su maestro Menton había hecho antes. Llevó, sin embargo, un diario espiritual que luego llamaría Vida en el amor, que concluiría en Cuernavaca, pero no sería publicado hasta 1970, con un prólogo de Menton. El libro, que tuvo una enorme importancia e influencia entre los católicos progresistas del continente, es, en su doctrina, una reminiscencia del neoplatonismo agustiniano, pero está espiritualmente ligado a las visiones franciscanas del mundo, al sostener que es por el amor que el mundo existe.


Las rápidas anotaciones que hizo en Gethsemani, fueron ampliadas para dar cuerpo a los poemas de Gethsemani Ky (1960). Luego de su conversión, los temas de su poesía variaran poco. Cardenal seguirá repudiando un mundo regido por la violencia institucionalizada y por el concepto de propiedad privada, a los cuales apenas agregaría el místico amor de Dios. Su visión del mundo se hará más y más apocalíptica. Los poemas religiosos de este libro recuerdan sus primeros trabajos en la simplicidad de su imaginería y el énfasis en los detalles externos, en contraste con las abstracciones y las íntimas percepciones de muchos de sus versos religiosos. Los poemas de Salmos (1969), especie de Sermones de la Montaña, denuncian el despotismo y los sistemas opresivos creados por el capitalismo a través de sus instituciones y organizaciones secretas, sistemas de tortura y medios de exterminio. En uno de ellos dice:




Líbrame Señor

 de la SS de la NKDV de la FBI de GN

Líbrame de sus consejos de guerra

de la rabia de sus jueces y sus guardias



La misma crítica directa a la avaricia y degradación de los valores se encuentra en Oración por Marilyn Monroe y otros poemas (1965), una elegía de sobrecogedor pathos y compasión. El suicidio de la actriz es visto como símbolo del vacío espiritual y de la culpa colectiva del hombre moderno. El estrecho dudoso (1966), es un largo poema épico que describe la evolución social y política de Centro América, desde la conquista española hasta los inicios del siglo XVII, con comentarios amargos sobre el presente. Homenaje a los indios americanos (1969), ofrece poemas que celebran la simplicidad y el sentido comunitario que hay en el pasado indígena, criticando el capitalismo contemporáneo. El volumen incluye poemas con intrincada estructura sobre temas mayas, incas y de los indios norteamericanos.




Entre las obras más notables de Cardenal figura Coplas a la muerte de Menton (1969), una elegía al poeta norteamericano, y Oráculo sobre Managua (1973), que pretende reconciliar la imagen benevolente de Dios con el horror de la devastación que dejó el terremoto de Managua, ese año, en plena navidad. En Cuba (1972), es un recuento en prosa de los tres meses que vivió en la isla en 1970. Su punto de vista sobre el gobierno de Castro es de simpatía, una visión ingenua del desarrollo de la revolución.



Cardenal ha dicho que su misión como hombre y como poeta es la de un revolucionario de Dios, que interpreta las enseñanzas de Cristo como esencialmente políticas y sociales. Cristo y Gandhi son los modelos en su lucha no-violenta contra el mal y las injusticias. Cardenal cree, todavía, que la Iglesia Católica de Roma tiene un importante papel que jugar contra la inequidad social y las injusticias políticas en América Latina.

“Cardenal – ha dicho Eduardo Escobar- merece un lugar entre los grandes poetas en castellano. Es injusto pedirles a los grandes poetas obras maestras todos los días. Los poemas débiles forman parte del tránsito a los hallazgos. Y son muestras de la fidelidad a la vocación en todo caso. El estrecho dudoso y los salmos y las armazones minimalistas de La Trapa, donde los tractores tienen tanto derecho como los grillos a figurar en el poema, hacen a Cardenal digno de respeto, admiración y atención.”



Managua 6:30 P.M.

En la tarde son dulces lo neones
a las luces de mercurio, pálidas y bellas …

Y la estrella roja de una torre de radio
en el cielo crepuscular de Managua
es tan bonita como Venus
y un anuncio ESSO es como la luna



las lucecitas rojas de los automóviles son místicas


(El alma es como una muchacha besuqueada detrás de un auto)

¡TACA BUNGE KLM SINGER

MENNEN HTM GOMEZ NORGE

RPM SAF OPTICA SIELECTA

proclaman la gloria de Dios!

(Bésame bajo los anuncios luminosos oh Dios)

en muchos colores

deletrean tu Nombre.



la noticia …»

Otro significado

no lo conozco



Las crueldades de esas luces no las defiendo
Y si he de dar un testimonio sobre mi época
es éste: Fue bárbara y primitiva
pero poética



Oración por Marilyn Monroe

Señor

Recibe a esta muchacha conocida en toda la tierra con el nombre de Marilyn Monroe

aunque ése no era su verdadero nombre

(pero Tú conoces su verdadero nombre, el de la huerfanita violada a los 9 años

y la empleadita de tienda que a los 16 se había querido matar)

y que ahora se presenta ante Ti sin ningún maquillaje

sin su Agente de Prensa

sin fotógrafos y sin firmar autógrafos

sola como un astronauta frente a la noche especial.



Ella soñó cuando niña que estaba desnuda en una iglesia (según cuenta el Time )

ante una multitud postrada, con la cabeza en el suelo

y tenía que caminar en puntillas para no pisar las cabezas.

Tú conoces nuestros sueños mejor que los psiquiatras.

Iglesia, casa, cueva, son la seguridad del seno materno

pero también son algo más que eso …



Las cabezas son los admiradores, es claro

(la masa de cabezas en la oscuridad bajo el chorro de luz).

Pero el templo no son los estudios de la 20th Century-Fox.

El templo -de mármol y oro- es el templo de su cuerpo

en el que está el Hijo del Hombre con un látigo en la mano

expulsando a los mercaderes de 20th Century-Fox

que hicieron de Tu casa de oración una cueva de ladrones.



Señor

en este mundo contaminado de pecado y radioactividad

Tú no culparás tan sólo a una empleadita de tienda

Que como toda empleadita de tienda soñó ser estrella de cine.

Y su sueño fue realidad (pero como la realidad del tecnicolor).

Ella no hizo sino actuar según el script que le dimos

-el de nuestras propias vidas- y era un script absurdo.

Perdónala Señor y perdónanos a nosotros.

Por nuestra 20th Century

por esa Colosal Superior-Producción en la que todos hemos trabajado.

Ella tenía hambre de amor y le ofrecimos tranquilizantes,

para la tristeza de no ser santos se le recomendó el psicoanálisis.

Recuerda Señor su creciente pavor a la cámara

y el odio al maquillaje -insistiendo en maquillarse en cada escena-

y cómo se fue haciendo mayor el horror

y mayor la impuntualidad a los estudios.



Como toda empleadita de tienda

soñó ser estrella de cine.

Y su vida fué irreal como un sueño que un psiquiatra interpreta y archiva.


Sus romances fueron un beso con los ojos cerrados

que cuando se abren los ojos

se descubre que fue bajo reflectores

¡y apagan los reflectores!

y desmontan las dos paredes del aposento (era un set cinematográfico)

mientras el director se aleja con su libreto porque la escena ya fue tomada.

Y como un viaje en yate, un beso en Singapur, un baile en Río

la recepción en la mansión del duque y la duquesa de Windsor vistos en la salita del apartamento miserable.


La película termino sin el beso final

la hallaron muerta en su cama con la mano en el teléfono

Y los detectives no supieron a quién iba a llamar.

Fue

como alguien que ha marcado el número de la única voz amiga

y oye tan sólo la voz de un disco que le dice: WRON NUMBER

O como alguien querido por los gánster

alarga la mano a un teléfono desconectado.


Señor

quienquiera que haya sido el que ella iba a llamar

y no llamo (y tal vez no era nadie

o era Alguien cuyo número no está en el Directorio de Los Angeles)

¡contesta Tú el teléfono!



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Véase Arellano, Eduardo: Panorama de la literatura nicaragüense, Managua, 1982. Borenson, Paul: The Poetry of Ernesto Cardenal, Chapell Hill, 1977. García, Fernando: Ernesto Cardenal poeta de la liberación latinoamericana, Buenos Aires, 1975. Gonzalez, J.L.: Ernesto Cardenal, poeta, revolucionario, monje, Salamanca, 1978. Oviedo, José Miguel: Ernesto Cardenal, un místico comprometido, en Imagen, nº 35, Caracas, 1968.

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Harold Alvarado Tenorio

http://www.haroldalvaradotenorio.com/

http://www.arquitrave.com/

http://www.antologiacriticadelapoesiacolombiana.com/

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quinta-feira, 29 de março de 2012

DE OLHO NO TEMPO

O namoro do Chico Buarque com a cantora ruiva Thais Gulin rendeu para nós
este primor de blues ESSA PEQUENA, cuja letra vai aí abaixo. Mas rendeu
também a interessante crônica UM TEMPO SEM NOME da escritora Rosiska Darcy
de Oliveira sobre “o novo conceito de envelhecer”. Também segue abaixo.


Essa Pequena

Chico Buarque

Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela

Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la

Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai

Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena



Um tempo sem nome****

*Rosiska Darcy de Oliveira
(O Globo, 21/01/12)


Com seu cabelo cinza, rugas novas e os mesmos olhos verdes, cantando
madrigais para a moça do cabelo cor de abóbora, Chico Buarque de Holanda
vai bater de frente com as patrulhas do senso comum. Elas torcem o nariz
para mais essa audácia do trovador. O casal cinza e cor de abóbora segue
seu caminho e tomara que ele continue cantando “eu sou tão feliz com ela”
sem encontrar resposta ao “que será que dá dentro da gente que não devia”.

Afinal, é o olhar estrangeiro que nos faz estrangeiros a nós mesmos e cria
os interditos que balizam o que supostamente é ou deixa de ser adequado a
uma faixa etária. O olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas.
É ele que mina a autoimagem, que nos constitui como velhos, desconhece e,
de certa forma, proíbe a verdade de um corpo sujeito à impiedade dos anos
sem que envelheça o alumbramento diante da vida .

Proust, que de gente entendia como ninguém, descreve o envelhecer como o
mais abstrato dos sentimentos humanos. O príncipe Fabrizio Salinas, o
Leopardo criado por Tommasi di Lampedusa, não ouvia o barulho dos grãos de
areia que escorrem na ampulheta. Não fora o entorno e seus espelhos, netos
que nascem, amigos que morrem, não fosse o tempo “um senhor tão bonito
quanto a cara do meu filho“, segundo Caetano, quem, por si mesmo, se
perceberia envelhecer? Morreríamos nos acreditando jovens como sempre fomos.

A vida sobrepõe uma série de experiências que não se anulam, ao contrário,
se mesclam e compõem uma identidade. O idoso não anula dentro de si a
criança e o adolescente, todos reais e atuais, fantasmas saudosos de um
corpo que os acolhia, hoje inquilinos de uma pele em que não se reconhecem.
E, se é verdade que o envelhecer é um fato e uma foto, é também verdade que
quem não se reconhece na foto, se reconhece na memória e no frescor das
emoções que persistem. É assim que, vulcânica, a adolescência pode brotar
em um homem ou uma mulher de meia-idade, fazendo projetos que mal cabem em
uma vida inteira.

Essa doce liberdade de se reinventar a cada dia poderia prescindir do
esforço patético de camuflar com cirurgias e botoxes — obras na casa
demolida — a inexorável escultura do tempo. O medo pânico de envelhecer,
que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma
vendedora de cosméticos a mulher mais rica do mundo, se explica justamente
pela depreciação cultural e social que o avançar na idade provoca.

Ninguém quer parecer idoso, já que ser idoso está associado a uma sequência
de perdas que começam com a da beleza e a da saúde. Verdadeira até então,
essa depreciação vai sendo desmentida por uma saudável evolução das
mentalidades: a velhice não é mais o que era antes. Nem é mais quando era
antes. Os dois ritos de passagem que a anunciavam, o fim do trabalho e da
libido, estão, ambos, perdendo autoridade. Quem se aposenta continua a
viver em um mundo irreconhecível que propõe novos interesses e atividades.
A curiosidade se aguça na medida em que se é desafiado por bem mais que o
tradicional choque de gerações com seus conflitos e desentendimentos. Uma
verdadeira mudança de era nos leva de roldão, oferecendo-nos ao mesmo tempo
o privilégio e o susto de dela participar.

A libido, seja por uma maior liberalização dos costumes, seja por
progressos da medicina, reclama seus direitos na terceira idade com uma
naturalidade que em outros tempos já foi chamada de despudor. Esmaece a
fronteira entre as fases da vida. É o conceito de velhice que envelhece.
Envelhecer como sinônimo de decadência deixou de ser uma profecia que se
autorrealiza. Sem, no entanto, impedir a lucidez sobre o desfecho.

”Meu tempo é curto e o tempo dela sobra”, lamenta-se o trovador, que não
ignora a traição que nosso corpo nos reserva. Nosso melhor amigo, que
conhecemos melhor que nossa própria alma, companheiro dos maiores prazeres,
um dia nos trairá, adverte o imperador Adriano em suas memórias escritas
por Marguerite Yourcenar.

Todos os corpos são traidores. Essa traição, incontornável, que não é
segredo para ninguém, não justifica transformar nossos dias em sala de
espera, espectadores conformados e passivos da degradação das células e dos
projetos de futuro, aguardando o dia da traição. Chico, à beira dos setenta
anos, criando com brilho, ora literatura, ora música, cantando um novo
amor, é a quintessência desse fenômeno, um tempo da vida que não se parece
em nada com o que um dia se chamou de velhice. Esse tempo ainda não
encontrou seu nome. Por enquanto podemos chamá-lo apenas de vida.

* ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA é escritora.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O BARCO VAZIO


[A Via de Chuang Tzu]




Aquele que governa os homens vive no caos;
O que é governado pelos homens vive na tristeza.
Yao, portanto, não desejou
Nem influenciar os outros
Nem ser por eles influenciado.
A maneira de se livrar do caos
E da tristeza
É viver com o Tao
Na terra do grande Vácuo.

Se um homem atravessar um rio
E um barco vazio colidir com sua própria embarcação,
Mesmo que seja um mal-humorado,
Não terá muita raiva.
Mas se vir um homem no outro barco,
Gritará que ele reme direito.
Se o outro não ouvir o grito, gritará de novo,
E mais, começando a xingar.
Tudo porque há alguém no barco.
Se o barco estivesse vazio,
Não gritaria nem ficaria com raiva.

Se você conseguir esvaziar seu barco
Ao atravessar o rio do mundo,
Ninguém lhe porá obstáculos,
Ninguém procurará fazer-lhe mal.

(xx. 2).

A árvore reta é a primeira a ser cortada,
A fonte da água límpida é a primeira a ser secada.
Se deseja melhorar sua sabedoria
E envergonhar o ignorante,
Cultivar seu caráter
E suplantar os outros;
Uma luz brilhará à sua volta
Como se houvesse engolido o sol e a lua:
Você não evitará a catástrofe.

Um sábio já dizia:
“O que se contenta consigo
Fez uma obra inútil.
O sucesso é o começo do erro.
A fama é a origem da desgraça.”

Quem poderá livrar-se do sucesso
E da fama, e descer, e perder-se
Entre a massa humana?
Esse fluirá como o Tao, invisível,
Sem nome nem lar.
É simples e sem exigências.
Aparentemente, um tolo.
Seus passos não deixam marca. Não tem nenhum poder.
Nada consegue, não tem reputação.
Como não julga ninguém
Ninguém o julga.
Este é o homem perfeito:
Seu barco está vazio.

(xx.2, 4).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA (trecho)

“O holograma é uma das invenções verdadeiramente notáveis da física moderna – extraordinário, de fato, quando visto pela primeira vez. Sua imagem fantamasgórica pode ser vista de vários ângulos e parece suspensa no espaço. O princípio é descrito de forma apropriada pelo biólogo Lyall Watson:

Quando se atira uma pedra em um lago, ela produz uma série de ondas regulares que se afastam do ponto em que caiu, em círculos concêntricos. Lançando-se duas pedras idênticas, em pontos diferentes, produzir-se-ão duas séries de ondas semelhantes que se deslocam no sentido uma da outra. Onde as ondas se encontrarem, interpor-se-ão. Se a crista de uma atingir a crista da outra, elas atuarão juntas e produzirão uma onda reforçada com o dobro da altura normal. Se a crista de um coincidiu com o intervalo da outra, elas se anularão e se produzirá um trecho isolado de águas calmas. Na realidade, ocorrem todas as combinações possíveis entre as duas e o resultado final é um complexo arranjo de ondulações, conhecido como padrão de interferência.

Ondas de luz se comportam exatamente da mesma forma. O tipo mais puro de luz de que dispomos é o produzido por um laser, que emite um feixe em que todas as ondas são de uma mesma freqüência, como as que são produzidas por uma pedra ideal em um lago perfeito. Quando dois raios laser se tocam, produzem um padrão de interferência de luz e ondulações escuras que pode ser registrado em uma placa fotográfica. E se um dos raios, em lugar de vir diretamente do laser, ser refletir primeiro em um objeto como um rosto humano, o padrão resultante será na verdade muito complexo, mas mesmo assim ainda pode ser registrado. O registro será um holograma do rosto.

A luz incide sobre a placa fotográfica a partir de duas fontes: do próprio objeto e de um feixe de referência, a luz defletida por um espalho do objeto até a placa. Os traços aparentemente sem significação na placa não se parecem com o objeto original, mas a imagem pode ser reconstituída por uma fonte de luz coerente como um raio laser. O resultado é lago semelhante, tridimensional, projetado no espaço a certa distância da placa.

Se o holograma for rompido, qualquer de suas partes reconstituirá toda a imagem.
Pribram viu o holograma como um estimulante modelo de como o cérebro podia armazenar memórias. Se a memória é distribuída, e não localizada, talvez seja holográfica. Talvez o cérebro aja em interações, interpretando freqüências bioelétricas que o permeiam.

A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA, Marilyn Ferguson. 1980
(Los Angeles, Califórnia). Edição brasileira (1987):
Editora Record, pgs. 169-70.