quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA (trecho)

“O holograma é uma das invenções verdadeiramente notáveis da física moderna – extraordinário, de fato, quando visto pela primeira vez. Sua imagem fantamasgórica pode ser vista de vários ângulos e parece suspensa no espaço. O princípio é descrito de forma apropriada pelo biólogo Lyall Watson:

Quando se atira uma pedra em um lago, ela produz uma série de ondas regulares que se afastam do ponto em que caiu, em círculos concêntricos. Lançando-se duas pedras idênticas, em pontos diferentes, produzir-se-ão duas séries de ondas semelhantes que se deslocam no sentido uma da outra. Onde as ondas se encontrarem, interpor-se-ão. Se a crista de uma atingir a crista da outra, elas atuarão juntas e produzirão uma onda reforçada com o dobro da altura normal. Se a crista de um coincidiu com o intervalo da outra, elas se anularão e se produzirá um trecho isolado de águas calmas. Na realidade, ocorrem todas as combinações possíveis entre as duas e o resultado final é um complexo arranjo de ondulações, conhecido como padrão de interferência.

Ondas de luz se comportam exatamente da mesma forma. O tipo mais puro de luz de que dispomos é o produzido por um laser, que emite um feixe em que todas as ondas são de uma mesma freqüência, como as que são produzidas por uma pedra ideal em um lago perfeito. Quando dois raios laser se tocam, produzem um padrão de interferência de luz e ondulações escuras que pode ser registrado em uma placa fotográfica. E se um dos raios, em lugar de vir diretamente do laser, ser refletir primeiro em um objeto como um rosto humano, o padrão resultante será na verdade muito complexo, mas mesmo assim ainda pode ser registrado. O registro será um holograma do rosto.

A luz incide sobre a placa fotográfica a partir de duas fontes: do próprio objeto e de um feixe de referência, a luz defletida por um espalho do objeto até a placa. Os traços aparentemente sem significação na placa não se parecem com o objeto original, mas a imagem pode ser reconstituída por uma fonte de luz coerente como um raio laser. O resultado é lago semelhante, tridimensional, projetado no espaço a certa distância da placa.

Se o holograma for rompido, qualquer de suas partes reconstituirá toda a imagem.
Pribram viu o holograma como um estimulante modelo de como o cérebro podia armazenar memórias. Se a memória é distribuída, e não localizada, talvez seja holográfica. Talvez o cérebro aja em interações, interpretando freqüências bioelétricas que o permeiam.

A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA, Marilyn Ferguson. 1980
(Los Angeles, Califórnia). Edição brasileira (1987):
Editora Record, pgs. 169-70.

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