O casulo se
desintegra quando o comparamos ao frescor de um momento de bondade de bondade
fundamental, da mesma maneira como só podemos perceber que o ar numa sala está
viciado quando alguém abre a janela e uma brisa fresca entra; ou como só
podemos perceber que está escurecendo quando alguém acende a luz. Como comenta
o Dorje Dradul:
O casulo não encerra
nenhuma ideia de luz, até que vivenciamos um anseio de abertura, um anseio por
algo diferente do cheiro do nosso suor. Quando começamos a examinar essa escuridão
confortável – a contemplá-la, cheirá-la, senti-la , nós a achamos
claustrofóbica. Assim, o primeiro impulso que nos afasta da escuridão do casulo
e nos faz avançar em direção à luz do Sol do Grande Leste é o anseio de
ventilação... com esse anseio de ar puro, de uma brisa de alegria, abrimos os
olhos e começamos a procurar um ambiente substituto para nosso casulo. E para
nossa surpresa, começamos a enxergar a luz, embora esta possa estar indistinta
no início. O rompimento do casulo tem lugar neste ponto.
Quando nos
ligamos a um mundo maior, nosso dissonante sentimento de separação diminui.
Nosso tagarelar interior é ensurdecido e sentimentos ser possível nos abrirmos
a um mundo novo sem nosso rançoso casulo e perceber que estamos inerentemente
ligados a ele. Nas palavras de Albert
Einstein:
O ser humano faz parte
do todo, que nós chamamos de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço.
Ele vivencia a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo dissociado do
resto – uma espécie de ilusão de ótica da consciência. Essa delusão é para nós
uma espécie de prisão, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição
por umas pessoas que estão mais próximas de nós. Nossa tarefa precisa ser nos
libertarmos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abraçar
todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de
conseguir isto completamente, mas o esforço de alcançar essa realização é em si
uma parte da libertação e um fundamento para a segurança interior.
Trecho
de O MUNDO SAGRADO,
de
Jeremy Hayward

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