Meu reino não é deste mundo
Capítulo 2 - Pág. 47
(...)
Pela simples dúvida
sobre a vida futura, o homem refere todos os seus pensamentos sobre a vida
terrestre; incerto do futuro, dá tudo ao presente; não entrevendo bens mais
preciosos que os da Terra, ele é como a criança que não vê nada além dos seus
brinquedos; para obtê-los, não há nada que não faça; a perda do menor dos seus
bens é uma tristeza pungente; uma decepção, uma esperança frustrada, uma
ambição não satisfeita, uma injustiça de que é vítima, o orgulho ou a vaidade
feridos, são igualmente tormentos que fazem da sua vida uma angústia perpétua, dando-se
assim voluntariamente uma verdadeira tortura de todos os instantes. Tomando
seu ponto de vista da vida terrestre, no centro da qual está colocado, tudo
torna ao seu redor proporções vastas; o
mal que o atinge, como o bem que compete aos outros, tudo adquire aos seus
olhos uma grande importância. Ocorre o mesmo com aquele que está no interior de
uma cidade, onde tudo parece grande: os homens do cume da escala, como os
monumentos; mas que se transporte para sobre uma montanha, homens e coisas vão
lhe parecer bem pequenos.
(...)
[Trecho de O EVANGELHO SEGUNDO O
ESPIRITISMO, Allan Kardec,
tradução de Salvador Gentile, Boanova Editora, 2004]
__________
* Destaque do
original.

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