quarta-feira, 24 de julho de 2013

Meu reino não é deste mundo

Capítulo 2 - Pág. 47



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Pela simples dúvida sobre a vida futura, o homem refere todos os seus pensamentos sobre a vida terrestre; incerto do futuro, dá tudo ao presente; não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele é como a criança que não vê nada além dos seus brinquedos; para obtê-los, não há nada que não faça; a perda do menor dos seus bens é uma tristeza pungente; uma decepção, uma esperança frustrada, uma ambição não satisfeita, uma injustiça de que é vítima, o orgulho ou a vaidade feridos, são igualmente tormentos que fazem da sua vida uma angústia perpétua, dando-se assim voluntariamente uma verdadeira tortura de todos os instantes. Tomando seu ponto de vista da vida terrestre, no centro da qual está colocado, tudo torna ao seu redor proporções vastas;  o mal que o atinge, como o bem que compete aos outros, tudo adquire aos seus olhos uma grande importância. Ocorre o mesmo com aquele que está no interior de uma cidade, onde tudo parece grande: os homens do cume da escala, como os monumentos; mas que se transporte para sobre uma montanha, homens e coisas vão lhe parecer bem pequenos.
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[Trecho de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec,
tradução de Salvador Gentile, Boanova Editora, 2004]
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* Destaque do original.

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